O Banqueiro Anarquista

 O banqueiro anarquista1 - Foto de Digeo Molina_menor“O Banqueiro Anarquista” é uma espécie de conte philosophique, ou “conto de raciocínio”, como denominava o autor. Este conto de Fernando Pessoa é muito pouco conhecido. Trata-se de um  diálogo botequinesco entre um personagem anônimo e um ex-operário, também anônimo, que se tornou banqueiro, apresentado desde o início como “um grande comerciante e “açambarcador notável”.

No diálogo, o banqueiro narra seu processo de formação, procurando demonstrar logicamente porque é realmente “anarquista” na teoria e na prática. Trata-se, assim, de um conto sobre razões da ação prático-moral, em que desfilam inteligência e dissimulação, lógica e disfarce. Fernando Pessoa, através deste conto, ilustra a maleabilidade de ideologias sociais entre seus próprios defensores, construindo um personagem que, ao mesmo tempo em que se diz anarquista em teoria e prática, é dono de uma poderosa instituição financeira: um banco. O aparente paradoxo é explicado com refinado discurso sociológico. O conto foi publicado inicialmente em 1922, mesmo tempo em que o italiano Errico Malatesta escrevia cartas e panfletos defendendo a criação de inusitados Partidos Anarquistas mundo afora. O paradoxo da ação real não tem o charme do paradoxo do conto literário, mas evidencia um tempo extremado de contradições e inquietações ideológicas, acompanhadas com atenção por Fernando Pessoa. O poeta tece a história de um ex-militante operário que, frustrado com os rumos da ação política de seu grupo e outros, procura fazer a revolução social que lhe é possível: a sua própria.

 O Banqueiro Anarquista desconcerta de imediato a quem lê este “conte philosophique”, podendo causar, até mesmo, um certo desassossego. Além de outros três brevíssimos contos de lógica paradoxal, este é o texto de prosa literária completo mais importante entre os poucos que Pessoa chegou a publicar em vida. No fundo, O Banqueiro Anarquista é um tratado didático sobre filosofia política, disfarçado de diálogo vagamente platônico que joga hábil e intencionalmente com diversas variantes de silogismos, tautologias e sofismas.

 O texto confeccionado para esta montagem coloca no mesmo palco, além do próprio Pessoa, três de seus grandes heterônimos: Alberto Caeiro, Álvaro de Campos e Ricardo Reis. Trata-se, portanto, de uma verdadeira ode ao pensamento e a escrita de Fernando Pessoa.

Serviço

Local: Sede das Cia (Rua Manoel Carneiro 12, escadaria do Seláron – Lapa)
Informações: (21) 2137-1271
Horário: quartas e quintas, às 20h

Ingressos: R$20,00

Capacidade: 60 lugares

Duração: 70 minutos

Bilheteria: diariamente a partir das 19h

Gênero: Conto Filosófico
Classificação: Livre

Temporada: de 09 a 31 de Outubro

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